Matemática em Ação: Práticas Exploratórias com Recursos Dinâmicos e Manipulativos turma T1(2026-4)
Apresentação
A presente Oficina de Formação surge como resposta direta aos desafios colocados pelas AE de Matemática e pelo PASEO. Num contexto onde se apela ao desenvolvimento de competências transversais, como o raciocínio matemático, o pensamento crítico e a literacia digital, torna-se imperativo capacitar os professores para práticas letivas mais dinâmicas e exploratórias que promovam o sucesso escolar e o gosto pela disciplina. A formação justifica-se pela necessidade de transitar de um ensino focado na memorização e em algoritmos mecânicos para um modelo baseado na investigação e na resolução de problemas. O foco na vertente prática através do uso sistemático de materiais manipuláveis (como Blocos Base 10, Barras de Cuisenaire, Ábacos), robótica simples (Bubble, Bee-Bot) e recursos digitais (Mathplayground, Polypad, Scratch Jr) visa proporcionar aos docentes ferramentas para apoiar os alunos na construção de conceitos abstratos a partir do concreto, essencial nesta etapa do desenvolvimento. Ao explorar o cálculo mental flexível, o pensamento algébrico e a investigação estatística, a Oficina capacita os professores para criarem ambientes de aprendizagem onde o aluno é o protagonista. A integração do pensamento computacional (com e sem ecrãs) e o uso crítico da calculadora como instrumento de descoberta reforçam a atualidade desta ação perante a transição digital. Finalmente, a conceção de projetos de intervenção para aplicação direta em contexto de sala de aula garante a aplicabilidade imediata dos conhecimentos, transformando a matemática numa experiência exploratória, inclusiva e significativa.
Destinatários
Professores do grupo 110
Releva
Para os efeitos previstos no n.º 1 do artigo 8.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores do grupo 110. Mais se certifica que, para os efeitos previstos no artigo 9.º, do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores (dimensão científica e pedagógica), a presente ação releva para efeitos de progressão em carreira de Professores do grupo 110.
Objetivos
No final da formação, os docentes deverão ser capazes de: - Dominar o uso de materiais manipuláveis na construção do conceito de número e operações, privilegiando o cálculo mental flexível face aos algoritmos rígidos; - Implementar tarefas de natureza exploratória, transformando exercícios de rotina em atividades de investigação e problemas de múltiplos passos; - Integrar recursos digitais dinâmicos (como o Polypad) no ensino da geometria e das frações, facilitando a visualização de conceitos abstratos; - Aplicar o ciclo de investigação estatística e introduzir noções de probabilidade em contextos reais; - Promover o pensamento algébrico, focando em padrões, sequências e no sinal de igual como equivalência; - Integrar o pensamento computacional e a programação (com e sem ecrãs) na resolução de desafios de natureza matemática; - Utilizar a calculadora como ferramenta crítica de descoberta e investigação, e não apenas como instrumento de cálculo; - Conceber e aplicar projetos de intervenção com recursos dinâmicos e manipulativos, avaliando o seu impacto na aprendizagem dos alunos.
Conteúdos
Números (2,5h): Exploração didática de materiais manipuláveis: molduras do 10, colares de contas, Barras de Cuisenaire, Blocos Base 10 e Ábacos. Desenvolvimento de estratégias de cálculo mental flexível e fluência de cálculo através da composição/decomposição. Estruturas Multiplicativas e Divisão (2,5h): Significados da multiplicação (adição repetida, organização retangular, combinação) e da divisão (partilha e medida). Uso de matrizes e retas numéricas como modelos conceptuais. Problemas de múltiplos passos e exploração da relação inversa entre operações. Resolução de Problemas e Investigação (2,5h): Distinção entre exercícios de rotina e tarefas de investigação. Metodologia para "abrir" tarefas fechadas, transformando-as em desafios investigativos. Experimentação das fases de uma aula de investigação: apresentação da tarefa, trabalho autónomo, discussão coletiva e síntese das aprendizagens. Promoção da comunicação e reflexão crítica sobre estratégias de resolução. Frações (2,5h): Significado de fração: representação da relação parte-todo em unidades contínuas (áreas e comprimentos) e discretas (conjuntos). Transição entre representações concreta, pictórica e simbólica. Relações entre frações: frações de referência (metade, terça e quarta parte) e fração unidade. Comparação e ordenação de frações unitárias e com numeradores/denominadores comuns. Equivalência por manipulação de materiais e introdução ao Mathigon (Polypad). Geometria no Espaço e no Plano (2,5h): Visualização e orientação espacial (itinerários e coordenadas). Classificação de figuras planas e sólidos pelas suas propriedades (lados, faces, arestas, vértices e ângulos). Relação entre objetos 3D e as suas representações 2D: planificações e perspetivas. Introdução a ferramentas de manipulação 3D simples para explorar planificações Dados e Probabilidade (2,5h): Ciclo de investigação estatística: questões, recolha (inquérito/contagem), organização (utilizando tabelas de frequências, diagramas de pontos, diagramas de caule-e-folhas e gráficos de barras) e interpretação. Comunicação dos resultados de estudo. Noção de moda. Probabilidades: classificação de acontecimentos (certo, impossível, possível) e experiências aleatórias com dados e roletas para explorar a frequência relativa. Álgebra - Pensamento Algébrico (2,5h): Identificação e continuação de sequências e descoberta de regras de formação. Compreensão do sinal de igual (=) como relação de equivalência (modelo da balança) e não apenas como resultado operativo. Pensamento Computacional (2,5h): Exploração dos cinco pilares: abstração, decomposição, reconhecimento de padrões, algoritmia e depuração. Realização de atividades de programação sem computadores (Robô Humano, Labirinto de Setas e Programação por Cores) e com computadores (Mathplayground). Sensibilização para a programação em blocos (Scratch Jr). Iniciação à robótica educativa simples através da exploração de dispositivos como Bubble e Bee-Bot. Calculadora na Investigação (2,5h): Enquadramento nas AE e PASEO. Uso da calculadora para investigar regularidades. Desenvolvimento do sentido crítico: discernir a eficiência do cálculo mental vs. tecnológico. Experimentar jogos e desafios de curta duração que tornem a aprendizagem mais dinâmica, colmatando a escassez de propostas nos manuais.
Metodologias
Presencial: As sessões presenciais assentam numa dinâmica teórico-prática e colaborativa, alternando breves exposições com atividades de oficina. Os formandos manipulam materiais concretos e simulam contextos de sala de aula num modelo ativo-participativo, centrado no ensino exploratório. As tarefas incluem a resolução e debate de atividades para alunos, a análise de produções reais e de episódios de aula, promovendo a reflexão crítica sobre a prática docente e o enquadramento curricular. O Google Drive será utilizado como plataforma de apoio tutorial e repositório para partilha de recursos. Trabalho Autónomo: De cariz individual e focado na transposição didática. Compreende a leitura de literatura especializada e a adaptação de recursos educativos. O foco central reside na conceção e aplicação prática de uma tarefa em contexto real de turma, que integre recursos/materiais manipuláveis explorados na formação. Esta componente visa consolidar a transição entre a formação e a prática letiva. A oficina culmina com a apresentação e discussão coletiva do projeto de intervenção prática, potenciando o espírito crítico e a aprendizagem colaborativa entre pares.
Avaliação
Os formandos são avaliados de acordo com as regras previstas no regulamento interno do centro de formação bem como a legislação vigente aplicável. Os formandos serão informados que a para sua avaliação serão tidos em conta os seguintes parâmetros/critérios: - Participação nas sessões presenciais em que será tido em conta a realização das tarefas nas sessões presenciais; - Relatório/trabalho de reflexão individual onde deverá constar memória descritiva do trabalho do formando nas sessões presenciais e o produto do trabalho autónomo apresentado.
Bibliografia
Canavarro, A. P. (2011). Ensino Exploratório da Matemática: Práticas e Desafios. Viseu: Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática (SPIEM). NCTM (2017). Princípios para a Ação: Assegurar a Todos o Sucesso em Matemática. Lisboa: APM (Tradução). Ponte, J. P., Brocardo, J., & Oliveira, H. (2009). Investigações Matemáticas na Sala de Aula. Lisboa: Gradiva. Ponte, J. P., & Serrazina, L. (2000). Didática da Matemática para o 1.º Ciclo. Lisboa: Universidade Aberta. Wing, J. M. (2006). Pensamento Computacional. Communications of the ACM.
Anexo(s)